Segmento teve alta de 26% em 2017 ante a maior restrição bancária para a renda mais baixa; já a melhora no ambiente doméstico traz boas perspectivas para o setor neste ano

O mercado de cartões private label já projeta crescimento de 30% para 2018, com melhora do ambiente doméstico e queda da inadimplência. Além disso, a expectativa do setor é de que, se aprovado, o fim do parcelamento sem juros impulsione expansão ainda maior.

A maior restrição de crédito bancário entre clientes das classes C e D ao longo da crise trouxe bons frutos para o mercado de private label. Só no ano passado, três das maiores empresas do segmento – a DMCard, a Tricard e a Sorocred – tiveram um crescimento médio de 26%.

“Esse recolhimento dos bancos com a baixa renda na hora da crise abriu um espaço muito grande de atuação para as operações de private label avançarem”, comenta o diretor executivo da DMCard, Denis César Correia. Ele pontua, ainda, a maior demanda do varejo.

“Os próprios lojistas passaram a entender que o produto é essencial para aumentar as vendas, já que para os consumidores que deixaram de ter um cartão Visa ou Master ou tiveram seus limites reduzidos pelos bancos, o cartão da loja acaba sendo uma alternativa”, complementa o executivo.

Em 2017, a administradora cresceu 33% seu faturamento. A Tricard, por sua vez, avançou 26% e a Sorocred, 21% na base de comparação com o ano anterior. As três empresas também projetam aumentos próximos de 30% a 35% para este ano.

Segundo o CEO da Sorocred, Marcos Etchegoyen, mesmo que o otimismo atual não seja comparável ao que se via antes da crise econômica, as projeções para 2018 são, tanto de uma atenção maior para o ambiente digital, como também de novos clientes e parcerias.

“Quando veio a recuperação, focamos em segmentos de vestuário e um comércio de ticket pequeno, o que deu um fôlego melhor. É claro que estamos alertas para o cenário político deste ano, mas já temos o melhor resultado para o mês de janeiro em três anos e essa deve ser a tendência”, avalia.

Em relação à inadimplência do setor, que tem por característica ser acima do nível médio do sistema financeiro, os especialistas afirmam já sentir um arrefecimento dos calotes nas carteiras desde novembro – queda que também deve se aprofundar ao longo deste ano.

De acordo com os últimos dados do Banco Central (BC), a inadimplência média total do cartão de crédito para pessoas físicas ficou em 6,2% em dezembro, queda de 1,5 ponto percentual em relação ao mesmo mês de 2016 (7,7%).

“Já temos mudanças importantes no risco de crédito, com melhora nos indicadores de inadimplência e recuperação de dívidas”, reconhece o diretor da Tricard – empresa de cartões do Tribanco –, Ricardo Batista.

Olhar digital

Nessa linha, a parte dos investimentos em prevenção de riscos, recuperação e análise de crédito e até mesmo fraude também devem receber uma atenção cada vez maior das administradoras, bem como os investimentos no ambiente digital.

“A inadimplência sempre foi um ponto de atenção constante. É algo com o qual temos que viver e saber adivinhar a melhor curva entre risco e recompensa. O desafio, agora, é mirar o lado digital e criar algo útil e fácil para entendimento do público”, explica Etchegoyen.

Ele acrescenta que, ainda no primeiro trimestre, por exemplo, uma plataforma digital da Sorocred deve ser lançada.

“Trabalhamos nisso há um tempo e não há dúvidas de que vamos explorar cada vez mais os canais digitais. O mundo é muito dinâmico para ficarmos parados”, diz o executivo.

Tanto a Tricard quanto a DMCard também já mostram investimentos consideráveis na parte digital e até o fim deste ano devem trazer novidades.

Para a DMCard, a expectativa é de lançamento de dois aplicativos voltados para consumidores e lojistas que possibilitam tanto o pedido de cartões pela plataforma como a inserção de detalhes e informações à gosto do cliente varejista.

Já na Tricard, o objetivo é de implementar o cartão virtual ainda neste ano. “A integração entre financeiras e fintechs é o que tem feito a bola girar mais rápido e, com certeza, é um caminho sem volta”, complementa Batista, diretor da administradora de cartões.

Parcelado do cartão

Ao mesmo tempo, o setor também espera o resultado das discussões em torno da substituição do parcelado do cartão.

A ideia, proposta no final de janeiro e em debate com o BC, é de que a modalidade seja substituída por um modelo de crediário a ser oferecido aos consumidores e vem em linha com um conjunto de medidas que o mercado de cartões estudava desde o final de 2016.

Segundo Batista, ainda que a discussão seja bastante incipiente, “seria uma forte oportunidade para o segmento, bem como para o fortalecimento do private label em pequenas lojas e com a possibilidade de entrada de novos varejistas ao setor”.

“Isso poderia até mesmo despertar novos players. Como o risco dessas lojas ainda é alto, porém, a espera é pela melhora concreta da economia e pela norma concreta dessa discussão para que atitudes mais significativas sejam tomadas”, conclui o executivo.

ISABELA BOLZANI • SÃO PAULO

Publicado em 05/02/18 às 00:00

Fonte: DCI